Brownies de M&Ms

sábado, 22 de abril de 2017

Na Páscoa deste ano, decidi preparar brownies para as professoras (e professor) dos meus filhos. Queria algo gostoso e que não desse muito trabalho, mesmo que não tivesse um rendimento estupendo, como cookies. Só de pensar em modelar dezenas de biscoitos, ficar plantada do lado do forno morrendo de calor para não deixá-los queimar... que preguiça.

Usei como base a minha receita preferida de brownies de chocolate. Como queria usar M&Ms, que são bem doces, precisei fazer alguns testes de redução da quantidade de açúcar para conseguir contrabalancear. Também adicionei café para um paladar um pouquinho mais interessante.

Ficaram deliciosos! Além de bonitos, ficaram bem equilibrados quanto à doçura* (*sei que o correto é dulçor, mas acho tããão feio), com textura fudgy perfeitinha e casquinha crocante. E, o mais importante: quem ganhou adorou!

Brownies de M&Ms
Receita adaptada daqui

Ingredientes

150g de manteiga sem sal, temperatura ambiente e picada
150g de chocolate amargo picadinho (usei um com 70% de cacau)
180g de açúcar refinado
50g de açúcar mascavo claro
3 ovos
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 colher (chá) de café solúvel (usei um pouco do pó de uma cápsula de café descafeinado)
150g de farinha de trigo
¼ colher (chá) de sal
100g de M&Ms comuns*

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180°C. Unte levemente com manteiga uma assadeira retangular com 26 cm X 17 cm, forre-a com papel alumínio deixando sobras em dois lados opostos, formando “alças”, e unte o papel também (eu prefiro usar uma assadeira descartável de alumínio com capacidade para 1,5 L).

Derreta juntos a manteiga e o chocolate: acomode-os em uma panela de fundo grosso, em fogo baixinho, e mexa vigorosamente o tempo todo para não deixar queimar. Quando eles estiverem parcialmente derretidos, remova a panela do fogo e continue mexendo até que o derretimento esteja concluído.

Com um batedor de arame, incorpore os açúcares à mistura de chocolate derretido. Verifique então se a temperatura da mistura já está morna. Se estiver, junte os ovos, um a um, mexendo bem a cada adição. Some a baunilha e o café. Peneire a farinha e o sal sobre a mistura e incorpore gentilmente com uma espátula de silicone, mexendo de baixo para cima, até que não haja mais farinha aparente. Envolva 2/3 dos M&Ms.

Transfira a massa para a forma preparada e alise a superfície com uma espátula de silicone. Sobre ela, distribua o restante dos M&Ms. Asse por 20-25 minutos ou até que as laterais e o topo estejam sequinhos, mas com o centro ainda úmido.

Deixe esfriar completamente na forma sobre uma gradinha. Corte em quadradinhos para servir. Rendimento: 1 assadeira de 26 cm X 17 cm ou 8 pedaços de 6 cm X 6 cm (e umas aparas maravilhosas).

Observações finais:

* Usei um utensílio novo que comprei há pouco tempo para cortar os brownies - um cortador múltiplo para brownies e pão de mel de 6 cm x 6 cm. Adorei o resultado, ficou super uniforme.

* Achou o método de derretimento do chocolate muito temerário? Derreta então no micro-ondas ou em banho-maria.

* Recomendo que você use M&Ms comuns por dois motivos: os M&Ms de amendoim nem sempre são os favoritos das pessoas; e os de ovinhos de Páscoa ficam terrivelmente feios e desbotados quando vão ao forno, além de serem chatos de cortar.

* Para preparar as lembrancinhas, fiz assim: primeiro, recortei quadrados de papel manteiga para colocar os quadradinhos de brownie em cima (para que eles não grudassem na embalagem ou um no outro). Em saquinhos de celofane, coloquei dois brownies empilhados. Fechei os saquinhos com arames decorados e coloquei-os dentro de embalagens especiais - saquinhos de pano com orelhinhas de coelho, lindezas que comprei da Trícia Rocha, uma artista das agulhas e linhas daqui de Brasília.

Pãezinhos de leite

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Pãezinhos de leite

No post passado, contei pra vocês das minhas desventuras na cozinha - quase um mês só fazendo porcaria. A redenção veio com aquele bolo de chocolate lindão e delicioso.

Ainda assim, eu não conseguia me sentir suuuuper confiante. Resolvi então fazer um tira-teima: se a sorte realmente estiver de novo do meu lado, vai rolar até pãozinho. Mas, como eu não sou besta nem nada, fui atrás da receita de pão mais badalada do oráculo.

Deu tudo tão certinho, o pão ficou tão lindinho, tão cheiroso, tão gostoso que eu declaro: vai voltar a ter pão nessa casa! E bolo! E o que mais me der na veneta!

Quer dar o seu grito de (usando um termo da moda) empoderamento? Faça aí uma fornada desses pãezinhos, passe manteiga em um quentinho e grite, de boca cheia: EU POFO! EU CONFIGO!

Pãezinhos de leite - falta um
Receita ligeiramente adaptada daqui

Ingredientes:

330ml de leite (usei desnatado porque não costumo ter leite integral em casa)
65g de manteiga sem sal
3 colheres (sopa) de açúcar cristal
2 colheres (chá) de fermento biológico seco
2 ovos
650g de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal

Para o acabamento:
1 ovo inteiro
1 colher (chá) de leite

Modo de preparo:

Coloque metade do leite em uma panelinha e leve ao fogo alto até que comece a ferver. Retire do fogo, junte a manteiga e o açúcar e misture até a manteiga derreter. Acrescente o leite restante e aguarde a mistura ficar morna para despejá-la na tigela de uma batedeira planetária (ou numa tigela grande, caso você vá sovar a massa à mão). Junte o fermento biológico, misture bem com um garfo para dissolvê-lo e aguarde uns 5 minutos ou até que a mistura espume.

Junte os ovos, a farinha e o sal e trabalhe a massa com o batedor em formato de gancho por cerca de 8 minutos (velocidade baixa) ou até obter uma massa lisa e macia – ou sove na mão por uns 10-12 minutos. Transfira a massa para uma tigela grande com um pouquinho de manteiga derretida no fundo. Gire a massa até que toda a sua superfície, bem como a superfície interna da tigela, fiquem untadas. Cubra com filme plástico e deixe crescer em um lugar morninho até dobrar de volume, uns 40 minutos. Nesse meio tempo, unte com manteiga uma forma de metal de 20 x 30 cm e reserve.

Dê um soquinho na massa para retirar o ar, divida-a em 15 porções de 75 g, cada, e forme uma bolinha com cada porção (não sabe bolear? Olhe esse vídeo fantástico). Arrume as bolinhas de massa na forma previamente preparada, umas ao lado das outras, deixando 1 cm de distância entre elas. Cubra com um pano de prato limpo e seco e deixe crescer novamente, cerca de 40 minutos – enquanto isso, preaqueça o forno a 200°C.

Em uma tigelinha, bata o ovo e o leite juntos. Pincele os pãezinhos com a mistura e leve ao forno por 20-25 minutos ou até que dourem bem e, ao dar batidinhas neles com os nós dos dedos, o som seja de algo oco. Deixe esfriar na forma, sobre uma gradinha, por 5 minutos. Desenforme com cuidado sobre a gradinha e deixe esfriar. Sirva os pãezinhos mornos ou em temperatura ambiente.

Os pãezinhos podem ser congelados por até 1 mês: deixe que esfriem completamente e guarde-os em saquinhos Ziploc.

Observações finais:

* Para a minha casa, um pão de 75g é grande demais (bocas pequenas para alimentar, sacumé). Se você também prefere pãezinhos menores, faça 24 porções com uns 50g.

* Ainda hei de preparar esse pãozinho com leite integral. Aí volto aqui para contar a diferença que faz.

* Hoje é dia do meu provador preferido de todos os tempos - aquele que aprendeu a criticar tudo que come segundo aparência, textura, sabor, umidade, aroma, retrogosto e o escambau só para me ajudar em uma época em que eu não podia comer o que cozinhava. O meu namorado pelos últimos 23 anos. O pai da pimpolhada. O genro de dona Lucia. O hômi. Mande boas vibrações pra ele, que ele merece!

Bolo de chocolate e vinho tinto

terça-feira, 11 de abril de 2017

Acabo de voltar de uma licença-capacitação de um mês. Durante este período, além de ter estudado bastante, tentei cozinhar mais frequentemente. TENTEI. Mas, para meu horror, nada do que eu fiz deu muito certo. A granola queimou, o bolo virou vulcão dentro do forno, o pão não cresceu, o gosto não agradou. Era como se eu e a cozinha já não nos entendêssemos mais.

Em vez de me conformar a essa triste sina, resolvi dar a volta por cima. Para isso, voltei ao básico - seguir receitas sem qualquer tipo de invencionice, prestar muita atenção a cada passo e escolher referências infalíveis. 

E quem é a minha referência infalível? O oráculo que tudo sabe? Que tem as receitas em que eu confio de olhos fechados? É Patrícia Scarpin, mia gente. E foi na mão da Pat que eu segurei para recuperar a minha autoconfiança.

Este bolo, eu namoro há um tempão, mas demorei para preparar por conta do vinho - não ia abrir uma garrafa para usar só 1/2 xícara. Por outro lado, tenho consumido tão pouca bebida alcoólica que não achava que conseguiria dar cabo do restante da garrafa. Até que achei uma garrafita de 375 mL. Beleza! 

Da primeira vez que fiz, segui a receita original de cabo a rabo, morta de medo de retirar mais uma decepção do forno. Mas, que nada, o bolo ficou incrível, desenformou lindamente. A cobertura ficou saborosa e bem equilibrada (só precisei dobrar a receita porque queria algo mais farto). Mandei para o trabalho do marido e foi um sucesso.

Mas o hômi, meu crítico habitual, fez suas considerações: apesar de fofo, o bolo não era tão úmido quanto os que eu costumo fazer. E a cobertura podia ter gostinho de vinho também, né.

Assim, da segunda vez que eu o preparei, já me senti confiante para mexer aqui e ali. E deu certo! E ficou tão bom! Levei para o meu trabalho e todo mundo adorou! Agora estou esperando uma próxima oportunidade de prepará-lo de novo para o hômi tirar a teima. 

Ah, um aviso importante: este bolo, como eu o apresento aqui, não é para crianças - sobra vinho e talvez falte uma doçura mais escandalosa.

Bolo de chocolate com vinho tinto
Receita adaptada daqui com calda adaptada daqui

Ingredientes:

Bolo:
200g de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de cacau em pó, sem adição de açúcar + um pouquinho a mais para polvilhar a forma
1 colher (chá) de fermento em pó
½ colher (chá) de bicarbonato de sódio
1/8 colher (chá) de sal
150g de óleo vegetal de sabor suave (usei girassol)
1 xícara (200g) de açúcar cristal
4 ovos
1 colher (chá) de extrato de baunilha
200g de chocolate meio-amargo, derretido e frio (usei um com 70% de cacau)
½ xícara (120ml) de iogurte natural, temperatura ambiente
½ xícara (120ml) de vinho tinto, temperatura ambiente

Calda (a receita original é exatamente o dobro desta, mas sobra calda demais):
113 g de chocolate meio-amargo (usei um com 70% de cacau)
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
1/4 de colher (chá) de sal
1/4 de xícara de açúcar de confeiteiro
1/4 de xícara de vinho tinto

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180°C. Unte generosamente com manteiga uma forma de furo central do tipo Bundt com capacidade para 10 xícaras de massa, polvilhe-a com cacau e retire o excesso. Em uma tigela média, peneire juntos a farinha, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal. Reserve.

Usando a batedeira, bata os ovos e o açúcar até obter um creme claro e fofo. Acrescente o óleo em fio, batendo até ficar bem misturado. Raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone, adicione a baunilha e mexa até ficar uniforme.

Em velocidade baixa, adicione o chocolate derretido e misture bem. Ainda em velocidade baixa, adicione metade dos ingredientes peneirados, seguidos pelo iogurte e pelo vinho, e finalize com o restante dos ingredientes peneirados – vá raspando as laterais da tigela a cada adição. Bata somente até incorporar os ingredientes. 

Transfira a massa para a forma e alise a superfície. Asse por 45-50 minutos ou até que o bolo cresça (faça o teste do palito). Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 15 minutos e então desenforme com cuidado na gradinha. Deixe esfriar completamente.

Para preparar a calda, aqueça o chocolate, a manteiga e o sal em uma tigelinha resistente ao calor encaixada sobre uma panela com água fervente (a água não deve tocar o fundo da tigela - é o velho e bom banho-maria). Misture constantemente até que a manteiga e o chocolate estejam derretidos, leva uns 5 minutos. Com o auxílio de um fouet, incorpore o açúcar de confeiteiro.

Enquanto isso, leve o vinho tinto ao fogo em uma panelinha até levantar fervura.

Remova a mistura de chocolate do calor e incorpore a ela o vinho tinto. Deixe esfriar por 8-10 minutos ou até que a mistura tenha engrossado um pouquinho e, ao ser misturada, mantenha a marca de onde a espátula passou.

Acomode o bolo no prato de servir e derrame sobre ele a calda.

Observações finais:

* Como eu demorei para derramar a calda (e usei o dobro da quantidade de ingredientes, como na receita original da revista Bon Appétit), fiquei com um montão de calda densa o suficiente para cobrir o bolo feito uma cobertura. Foi o que eu fiz. Também polvilhei com flocos de chocolate amargo.

O que sobrou da calda, servi com sorvete, aquecendo previamente no micro-ondas.

* Este post não pretende homenagear um dos caras mais legais com quem eu já trabalhei, um cabra talentoso, com postura profissional impecável e um coração maior que o mundo. Rodrigo, como você detesta que se festeje o seu aniversário, este post é só pra dizer que você faz muita falta. E que eu torço muito por você em seu novo caminho. Você sabe disso ;-).

* E, já que ela gosta, Mari, amiga amada, que os seus caminhos sejam sempre leves e iluminados. Espero que eu consiga vê-la além das telas da TV!

Pão de mingau de aveia

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pão de mingau de aveia

Não sei se você se lembra - eu me lembro, mas às vezes parece algo tãããão distante -, mas, por muito tempo, aqui no blog prevaleciam os pães, não os bolos. Pães, essas belezinhas caprichosas que premiam os humildes e perseverantes com deliciosas fatias, mas que punem sem piedade os orgulhosos e prepotentes.

Eu me sentia incrivelmente confiante diante de uma receita de pão. As exceções eram as que envolviam levain (que eu achava tão exóticas quanto aquelas que levavam açúcar de palma ou farinha de espelta) e as que exigiam sova prolongada, já que a minha coluna não me permite tanta aventura.

Daí que, um dia, eu engravidei. Sovar pão foi ficando cada dia mais difícil. Primeiro, por conta do tamanho da barriga. Depois, pelo esforço - gravidez de gêmeos, lá pelas tantas, é serviço pesado. Daí vieram as crianças. E o tempo livre, que eu achava ser pouco (sabe de nada, inocente), acabou de vez.

Os pães deram lugar a preparações mais ligeiras. O pão caseiro foi totalmente substituído por pão da padaria (felizmente, a que fica perto de casa é ótima). E eu, aos poucos, fui perdendo a intimidade com a fabricação de pães.

Hoje já não consigo dizer com confiança se uma massa 'deu ponto', se ela cresceu o suficiente para ir ao forno, se o pão já está devidamente assado, se o fermento espumou o suficiente. É uma tristeza. Mas decidi que vou dar a volta por cima. E este foi o primeiro passo.

Recebi da querida Samantha a indicação da receita a seguir. Ela foi publicada no blog La Cucinetta, um dos meus preferidos. Não só porque a Ana, sua autora, é super talentosa e porque cozinha lindamente, mas, principalmente, porque ela aborda inquietações e buscas que também são minhas (embora eu esteja anos-luz atrás dela).

O pão tem um modo de preparo meio inusitado - a aveia vira mingau antes de ser incorporada à massa. Nada de complicado, tá. E o resultado é absolutamente delicioso. Adocicado, perfumadíssimo, fofo feito um sonho. Uma ótima forma de iniciar uma reconciliação com os deuses da panificação.

Pão de mingau de aveia fatiado
Receita adaptada daqui

Ingredientes:

1 xícara de leite desnatado (a receita original pedia integral, mas eu nunca tenho em casa)
1/2 xícara de aveia em flocos médios, mais um pouco para o acabamento
1/4 de xícara de água quente
1/4 de xícara de mel
1 colher (sopa) de fermento biológico seco instantâneo
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
1 1/2 xícaras de farinha de trigo integral
Cerca de 1 xícara de farinha de trigo comum
1/2 colher (sopa) de sal
1 ovo ligeiramente batido com 1 colher (sopa) de água, para pincelar

Modo de preparo:

Aqueça o leite em uma panela média em fogo baixo até que esteja quente, mas não fervendo. Desligue o fogo, junte a aveia e a manteiga e deixe cozinhar, tampado, mexendo de vez em quando, até que esteja morno.

Numa tigela, misture a água quente e o mel até que tudo esteja bem dissolvido. Teste a temperatura desse líquido com o dedo mínimo - está quente de um jeito agradável? Então, pode adicionar o fermento, misturando bem. Deixe descansar por 5 minutos, até que espume. Junte então essa mistura ao mingau de aveia já morninho.

Numa tigela grande, misture a farinha integral, 3/4 de xícara da farinha comum e o sal. Junte a mistura de mingau de aveia e misture com uma colher de pau até formar uma massa macia.

Transfira a massa para uma superfície enfarinhada. Enfarinhe as mãos também e comece a sova, acrescentando um tiquinho a mais de farinha só em último caso, e só o suficiente para a massa desgrudar das mãos. Trabalhe-a por uns dez minutos ou até que ela fique elástica e uniforme.

Forme uma bola e transfira para uma tigela grande, untada com óleo, girando a massa dentro dela para recobri-la com uma película de óleo. Cubra com um filme plástico e deixe fermentar por 1 hora a 1 hora e meia, até que dobre de tamanho. Enquanto espera, aproveite para untar com manteiga uma forma de pão média (22 cm de comprimento).

Transfira a massa fermentada para uma superfície ligeiramente enfarinhada e sove um pouco para eliminar o gás acumulado. Modele o pão e acomode na forma. Cubra-o com um pano de prato limpo e deixe fermentar por mais uma hora, até que dobre de tamanho.

Coloque a grade no meio do forno e ligue-o a 190ºC. Pincele o topo do pão com o ovo batido e polvilhe com a aveia. Leve ao forno até que esteja bem dourado e com um som oco ao bater os nós dos dedos na parte debaixo dos pães, cerca de 35-40 minutos (solte as laterais com a ajuda de uma faca e retire da forma para testar – se não estiver bom, retorne à forma e ao forno).

Remova o pão da forma e deixe que esfrie completamente sobre uma grade.

Bolo de maçã e amêndoas (adoçado com passas)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Tenho feito algumas experiências no mundo dos bolos adoçados apenas com frutas secas. Eu as faço pensando em minha mãe, que doma a resistência à insulina com uma alimentação muito cuidadosa e atividade física regular.

Há pouco tempo postei aqui o bolo de banana adoçado com tâmaras que conseguiu a façanha de ganhar o coração do Gabriel e de seu vovô, dois comensais dos mais exigentes. Hoje, apresento um outro bolo, igualmente saboroso - um pouco menos doce que o de tâmaras, é bem verdade. Mas muito bom!

A receita foi adaptada de uma criada pela Camila, do @feitocom.amor. Apesar de não conhecê-la pessoalmente, tenho a sensação de que a Camila é daquelas pessoas que deixam a gente de coração quentinho, de tanta doçura. Além disso, é uma boleira de cair o queixo.

Optei por cortar a maçã do recheio em meia-lua e colocar os pedaços na vertical, enterrados na massa, inspirada em uma receita de bolo de maçãs que vi por aí. Adorei a ideia! A maçã não fica acumulada no fundo nem em um canto ou outro do bolo. Cada fatia tem o seu quinhão. Eba!

Bolo de maçã e amêndoas
Receita adaptada daqui

Ingredientes:

3 ovos
1 maçã grande sem sementes, picada (usei 3 pequeninas da Turma da Mônica)
1/2 xícara de óleo de canola
3/4 de xícara de passas brancas*
1 colher (chá) de canela
1 1/4 de xícara de amêndoas cruas, com pele* (quantidade aproximada)
2 colheres (chá) de fermento
1 maçã grande em cortada em meias-luas (usei 4 pequeninas da Turma da Mônica)

Modo de preparo:

Nesta receita, vamos usar as amêndoas com pele. Assim, se quiser, lave-as rapidamente, escorra bem e seque com um pano de prato limpo ou papel toalha antes de empregá-las. É muito importante que elas estejam secas antes de serem trituradas, ok?

Ligue o forno a 180ºC. Unte uma forma de bolo inglês média. Forre-a com papel manteiga, deixando sobras dos lados, e unte o papel também.

Triture as amêndoas - com pele e tudo -  no liquidificador até que virem uma farinha. Peneire essa farinha para uma tigela grande, devolvendo os pedaços mais grossos para o copo do liquidificador. Meça quanto deu. Se já tiver chegado a 2 xícaras de farinha, pode parar por aí. Do contrário, adicione mais um pouco de amêndoas inteiras ao copo do liquidificador e repita o procedimento. Ah, não descarte os pedacinhos que sobrarem na peneira, você pode incorporá-los à massa ou usá-los para cobrir o bolo antes de levar ao forno.

Volte ao liquidificador. Depois de remover os restos das amêndoas, junte 3 ovos, a maçã picada, as passas, o óleo e a canela. Bata muito bem até ficar homogêneo.

Verta o conteúdo do liquidificador sobre a farinha de amêndoas. Com uma colher de pau ou espátula de silicone, misture delicadamente até ficar uniforme. Adicione então o fermento e mexa até incorporar.

Despeje a massa na forma preparada. Alise a superfície com uma espátula de silicone. Distribua por cima a amêndoa grosseiramente triturada que pode ter sobrado. Distribua as meias-luas de maçã por todo o bolo, espetando-as verticalmente e até o fundo da assadeira (quando o bolo cresce, elas sobem um pouquinho). Polvilhe um pouco de canela sobre o bolo, se quiser.

Leve ao forno até que o bolo doure e passe no teste de palito. Deixe que ele esfrie sobre uma grade antes de desenformar. Use as sobras de papel manteiga para ajudar a removê-lo (o bolo tem textura delicada e pode não curtir muito sair da forma).

Sirva em temperatura ambiente. Sirva com um fio de mel, se quiser. Este bolo se conserva bem por até 2 dias na geladeira. É bolo com frutas frescas, sem o poder conservante do açúcar, daí ser mais perecível.

Bolo de maçã e amêndoas

Observações finais:

* Se preferir uma farinha de amêndoas mais clarinha, use amêndoas sem pele.

* Se quiser, pule toda a etapa de triturar e peneirar e use 2 xícaras de chá de farinha de amêndoas comprada pronta. Eu não recriminaria você ;-)

* Passas brancas tendem a ser menos doces que as pretas. Assim, prove e veja se não é necessário acrescentar um pouco mais delas à sua massa até ficar doce como você gosta. Ou, se você não se importar de ter um bolo de massa mais escura, use passas pretas. Elas, sim, são super doces.

* Eu usei 2 formas descartáveis pequenas de bolo inglês e sobrou massa para 3 bolinhos do tamanho de empadas médias (como o bonitinho da foto acima).

* Para quem não está no Brasil, aqui se vendem pacotes de 1 kg de maçãs pequeninas, tipo gala ou fuji, decorados com personagens infantis (Turma da Mônica, Mickey Mouse e Senninha são alguns exemplos).

Bolo de fubá da Akemi - o melhor que eu já comi

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bolo de fubá

Há um tempinho, no Instagram do blog, pedi sugestões do que fazer com um fubá triturado em moinho de pedra que o hômi me trouxe de uma viagem. Recebi muitas sugestões deliciosas - broinhas, polenta, bolinhos fritos, uma loucura. E a Lica deu a sugestão definitiva - "por que você não dá uma olhada nos bolos de fubá da Akemi?".

Quem frequenta a blogosfera brasileira há pouco tempo talvez não tenha chegado a conhecer, mas Clarice Akemi é uma das blogueiras mais talentosas e generosas que passou por essas bandas. Seu blog, o Pecado da Gula, está sem atualização há algum tempo, mas o acervo de receitas continua afiadíssimo. Recomendo de olhos fechados qualquer receita de lá.

Acontece que a Akemi é uma grande fã de bolo de fubá. Essa paixão virou uma busca incansável pela melhor receita de bolo de fubá de todas. Daí que, há quase 10 anos (9 anos, 11 meses e 2 dias, para ser mais precisa), essa busca chegou ao fim. Akemi finalmente chegou à receita definitiva de bolo de fubá. E, olha, depois de provar esse bolo, eu posso dizer que é a definitiva para mim, também.

É disparado o melhor bolo de fubá que eu já comi na vida. É fofo, é úmido, é doce na medida... um sonho. E, de quebra, é bem rapidinho de fazer.

Faça-se esse carinho. Faça esse bolo hoje. De nada, tá ;-)

Bolo de fubá.
Receita adaptada daqui

Ingredientes:

4 ovos médios
270 g de açúcar
150 mL de óleo de sabor suave (usei óleo de coco porque adoro o sabor)
110 g de farinha de trigo
130 g de fubá
1 garrafinha de 200 mL de leite de coco
10g/1 colher (sopa) de fermento químico em pó
1 pitada de sal

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180ºC. Unte e enfarinhe uma forma (usei a assadeira recomendada pela Akemi: uma retangular de 24x18cm).

Peneire juntos a farinha, o fubá, o sal e o fermento. Misture-os com um fouet até ficar bem uniforme.

Coloque o leite de coco para esquentar até ferver. quando isso acontecer, desligue o fogo.

Na tigela da batedeira, adicione os ovos e bata rapidamente. Acrescente o açúcar e bata em alta velocidade até obter um creme fofo e pálido. Adicione o óleo em fio, aos poucos, batendo sem parar.

Desligue a batedeira e peneire os ingredientes secos mais uma vez, agora sobre a massa. Ligue a batedeira em velocidade bem baixa (ou, ainda, misture à mão, com um fouet). Acrescente o leite de coco aos poucos, mexendo até incorporar. A massa vai ficar bem líquida, não se espante.

Verta a massa na forma e bata-a sobre a bancada para eliminar bolhas de ar. Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até a superfície corar. Abaixe então a temperatura para 160ºC e deixe por mais 20 a 30 minutos ou até que o bolo passe no teste do palito.

Tire do forno e espere 5 minutos antes de desenformar (eu não desenformei, deixei esfriar sobre uma grade e então cortei-o em pedaços).

Observações finais:

* Converti as medidas para gramas e mililitros para facilitar minha vida (e a sua). Minha xícara medidora é maior do que a da receita original e eu me atrapalharia se tivesse que converter as medidas todas as vezes.

* Usei leite de coco por conta dos meus convivas intolerantes à lactose. Mas a receita original usa leite de vaca.

Bolo de banana adoçado com tâmaras

sábado, 4 de março de 2017

Como você faz para evitar que as castanhas, frutas secas e farinhas fiquem rançosas ou bichadas? As de uso rápido (isto é, que eu consumo em mais ou menos 2 meses), guardo em temperatura ambiente, em potes hermeticamente fechados protegidos de luz e calor.

Mas as farinhas, castanhas e frutinhas que eu uso com menos frequência, essas moram na geladeira. "E tem tanto espaço assim na sua geladeira?". Infelizmente não. Fica tudo imprensado no fundão.

Claro que, de vez em quando, eu descubro alguém que ficou para trás (literalmente) e acabou esquecido. Foi o caso de um pacote de tâmaras intocado. Quando eu o encontrei, estava à beira de vencer.

Fucei a internetz e encontrei uma receita que usaria todo o pacote (eba). Bolo de banana, que eu quase nem gosto. O problema é que a receita tinha uma pegada mais 'natureba' - tinha farinha integral e sementes e era adoçada apenas com frutas e xarope de bordo. Alice e o pai não comeriam nem amarrados. Gabriel provavelmente se juntaria a eles e torceria o nariz.

Preparei a receita numa manhã de domingo e levei para o lanche da tarde na casa da minha mãe. Tirando quem eu já sabia que não gostaria, o bolo foi um sucesso! Todos nós adoramos. Gabriel chegou a repetir. 2 vezes. #todascomemora 

É um bolo muito úmido e perfumado, e não há quem diga que não leva açúcar. Da próxima vez que eu o preparar, quero decorá-lo com fatias ou rodelas de banana por cima, pinceladas com xarope de bordo. Eu gosto de bolos bem 'bananudos' e achei que o sabor da banana ficou um tanto discreto.

Bolo de banana adoçado com tâmaras
Receita adaptada daqui

Ingredientes:

1 xícara de farinha de trigo integral
1/2 xícara de farinha de trigo comum
2 colheres (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de canela em pó
3/4 de colher (chá) de bicarbonato de sódio
1/4 de colher (chá) de sal
2 ovos grandes
1 xícara de bananas maduras amassadas (2 a 4 bananas, dependendo do tamanho - amasse-as e vá juntando em na xícara medidora até enchê-la)
1 xícara de tâmaras sem caroço, grosseiramente picadas
1/2 xícara de óleo de canola
1/4 de xícara de xarope de bordo 100%*
2 colheres (chá) de extrato de baunilha
3/4 de xícara de sementes de girassol sem casca*

Modo de preparo:

Ligue o forno a 180ºC. Unte e enfarinhe uma forma média de bolo inglês (eu usei duas formas descartáveis de tamanho diferente - equivalentes a uma média e uma pequena). Ferva 1 xícara de água filtrada, despeje em uma tigelinha e coloque as tâmaras de molho por uns 15 minutos, caso estejam ressecadas.

Em uma tigela grande, misture as farinhas, o fermento, a canela, o bicarbonato e o sal com um fouet. Reserve.

Depois de escorrer as tâmaras, coloque-as no copo do liquidificador junto com os ovos, o óleo, a banana, a baunilha e o xarope de bordo. Pulse até que as tâmaras fiquem trituradas, mas em pedaços visíveis.

Derrame o conteúdo do copo do liquidificador sobre os ingredientes secos e misture com uma espátula de silicone até ficar tudo bem combinado. Adicione 1/2 xícara de sementes de girassol e envolva com a espátula.

Despeje a massa na(s) assadeira(s) preparada(s), alise a superfície e salpique com o restante das sementes de girassol.

Leve ao forno até que o bolo fique bem bronzeado e forme uma bela 'corcova' no centro (desculpe, não encontrei expressão melhor). No teste do palito, ainda haverá migalhas úmidas - são elas o que queremos. Algo entre 48-55 minutos.

Retire o bolo do forno e deixe esfriar em uma grade por 15 minutos, se tiver intenção de desenformá-lo. Sirva em temperatura ambiente.

Observação final:

* Desculpe, não consegui fazer uma foto decente sequer da fatia do bolo. Mas ela fica bem úmida, escura e fofinha.

* Usei xarope de bordo porque tinha uma garrafa velhinha na geladeira. Mas, se não tiver em casa, pode usar a mesma quantidade de mel de sabor suave ou, mesmo, melado de cana.

* Usei sementes de girassol, mas a receita original usava nozes, que eu não curto tanto. Use as sementes e/ou castanhas que mais gostar. Eu pretendo usar castanha-do-pará numa próxima vez.

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